No distrito de Icoaraci, em Belém, um dos maiores polos de cerâmica artesanal do Brasil, o barro ganha vida e significado por meio das mãos de quem transforma tradição em sustento. É nesse cenário que a história de Socorro Abreu se destaca, marcada por coragem, aprendizado e amor pela cultura.
Natural da Ilha do Marajó, Socorro chegou ainda criança ao município de Vigia e, mais tarde, estabeleceu-se em Icoaraci. Foi ali que encontrou não apenas um lugar para viver, mas também um caminho profissional que mudaria sua vida.
O primeiro contato com o artesanato veio por meio de um convite despretensioso de uma amiga. Em uma olaria, começou pintando peças, sem imaginar que aquele seria o início de uma grande paixão. “Comecei a pintar, mas fui gostando do que estava fazendo”, lembra.
Do improviso ao empreendimento
Durante a gravidez, Socorro precisou se afastar da olaria. Mas, em vez de parar, levou o trabalho para dentro de casa. Foi nesse momento que começou a produzir suas próprias peças, dando início a uma trajetória construída com persistência.
Seu esposo, que na época era carpinteiro naval, acabou se envolvendo com o trabalho artesanal. Juntos, transformaram a atividade em negócio e hoje comandam o espaço JS Cerâmica Amazônia, onde produzem e comercializam suas peças.
Inovação que respeita a natureza
Atuando há décadas no bairro do Paracuri, Socorro e seu esposo tornaram-se pioneiros na região ao introduzir técnicas mais sustentáveis na produção cerâmica.
Eles deixaram de utilizar forno a lenha e passaram a trabalhar com forno elétrico, aliado ao uso de energia fotovoltaica. Além disso, desenvolveram um processo próprio de tratamento da argila, garantindo mais qualidade às peças, especialmente as utilitárias, que não oferecem riscos à saúde por não terem contato direto com o verniz. “A gente não ficou só na cerâmica tradicional, procurou inovar”, destaca.
Inspiração que vem das mãos e da cultura
Para Socorro, o artesanato vai além da produção: é também uma forma de bem-estar. “Eu gosto porque é algo que a gente faz com as mãos e, querendo ou não, a gente relaxa”, conta.
Suas peças carregam a identidade da cerâmica icoaraciense, mas com forte influência dos grafismos marajoaras, uma maneira de manter viva a cultura de sua terra natal e compartilhar essa herança com outras pessoas.
Ser artesã é resistir e viver da própria arte
Mais do que uma profissão, o artesanato é o que sustenta Socorro e sua família. É também um caminho de resistência e valorização cultural. “É muito importante porque, além de divulgar e manter a cultura viva, é de onde tiro meu sustento. Não é fácil, é trabalhoso, é árduo… você se suja, passa horas em uma peça, ela passa por várias mãos. E, quando vendemos, não se trata só do valor, mas do reconhecimento do trabalho”, afirma.
No Dia do Artesão, celebrado nesta quinta-feira (19), histórias como a de Socorro Abreu evidenciam a importância de reconhecer e valorizar quem transforma matéria-prima em cultura viva, memória e identidade. Em cada peça, não há apenas técnica, mas também histórias, sentimentos e tradições que atravessam gerações.

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
Reply