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Canetas Emagrecedoras: milagre moderno ou tratamento médico sério?

Nos últimos anos, as chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam destaque nas redes sociais e consultórios médicos, impulsionadas por relatos de perda de peso em pouco tempo. Mas, segundo especialistas, é necessário estar atento às indicações e riscos do uso dessas medicações. Em entrevista à LiV, o endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)- Regional Pará Rubens Tofolo esclareceu indicações, benefícios e riscos do tratamento.


Rubens Tofolo, endocrinologista, pneumologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)- Regional Pará.

Apesar da popularização das canetas emagrecedoras, muita gente não sabe que esses medicamentos foram desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2 e só depois passaram a ser indicados também para pacientes com obesidade. “A gente não gosta muito do termo ‘canetas emagrecedoras’ porque ele reduz o tratamento da obesidade a uma questão estética e transforma algo sério em algo recreativo. Além disso, sugere algo temporário, como se fosse apenas emagrecer e simplesmente parar de usar. O termo correto seria análogos de GLP-1 injetáveis”, explica o Dr. Rubens Tofolo.

Entre os medicamentos mais conhecidos estão Ozempic, Mounjaro, Wegovy e Saxenda. De acordo com o endocrinologista, o uso indiscriminado dos medicamentos é preocupante, principalmente pelos riscos. “Essas medicações não foram feitas para questões estéticas. Foram estudadas para pacientes diabéticos e obesos. A gente fica muito preocupado com as pessoas que precisam perder 3 quilos, 4 quilos e querem usar essas medicações. Elas não foram estudadas para esses tipos de pacientes. Por isso que a gente tem visto muitos efeitos colaterais”, afirmou.

Dr. Rubens Tofolo ainda alerta: “É preocupante primeiro, pelo mau uso, ou seja, aquelas pessoas que não têm indicação e ficam utilizando. Segundo, a procedência da medicação. Para você ter uma ideia, a caneta que é comprada na farmácia tem uma porcentagem de 99,5% de pureza. Essas clandestinas não chegam nem a 15%. E com isso vêm os efeitos colaterais. Se você injeta no seu corpo algo que é impuro, pode levar as infecções, pode levar doenças autoimunes, além disso pode levar a uma inflamação no organismo, e essa inflamação pode levar a uma pancreatite”, evidencia.

As canetas atuam principalmente aumentando a sensação de saciedade e reduzindo o apetite. Elas também retardam o esvaziamento gástrico e contribuem para um melhor controle da glicemia. O resultado é a diminuição da ingestão calórica e, consequentemente, a perda de peso.

Segundo o especialista, o medicamento foi um divisor de águas na medicina moderna, com impacto na expectativa e na qualidade de vida dos pacientes. O endocrinologista ainda destaca a importância do paciente manter os hábitos saudáveis. “As pessoas querem perder muito peso em pouco período de tempo. A gente tem visto muitos problemas justamente por causa disso porque, hoje, as pessoas querem só tomar a medicação e não fazer atividades físicas, nenhum tipo de alimentação saudável e acabam não ingerindo os nutrientes, o que causa uma deficiência muito grande de vitaminas. Eu sempre digo para os meus pacientes: 'se você veio aqui para emagrecer, primeiro a gente tem que ver se você tem indicação para usar a medicação'”, alerta.

A preocupação se justifica diante dos números. Segundo ele, o mundo enfrenta uma epidemia de obesidade. “Hoje temos cerca de 1 bilhão de pessoas obesas no planeta. A projeção é que, em 20 anos, esse número chegue a 4 bilhões.”

Diante desse cenário, as chamadas “canetas emagrecedoras” não são milagre, mas também não devem ser banalizadas. São medicamentos eficazes, com respaldo científico, que exigem indicação correta, acompanhamento médico e responsabilidade no uso.

“Se a pessoa chega aqui e diz que quer perder três quilos com mounjaro, por exemplo, eu digo que veio ao médico errado. A gente vai prescrever uma alimentação, algum outro remédio, mas esse não. Então, a gente tem que ser um pouco rígido porque está se tornando algo banalizado”, finaliza o Dr. Rubens Tofolo.