A escolha de Belém como sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada no final de 2025, representou o maior aporte concentrado de investimentos públicos da história recente do Pará. Com recursos que ultrapassaram a marca de R$ 11 bilhões somados entre Governo Federal, Governo do Estado, BNDES e Itaipu Binacional, a capital paraense passou por uma reorganização em sua infraestrutura física, turística e sanitária.
Veja algumas transformações urbanas entregues, os projetos consolidados e o impacto diário para a população da Região Metropolitana:
1. Parques urbanos e requalificação de espaços públicos
A carência histórica de áreas verdes estruturadas na área central e periférica de Belém foi um dos principais focos de intervenção.
Parque da Cidade (Antigo Aeroporto Brigadeiro Protásio)
Área: Aproximadamente 500 mil m².
Função na conferência: Sede das plenárias oficiais da ONU (Blue Zone) e feiras globais (Green Zone).
Legado pós-COP: Transformou-se no maior complexo de lazer, esporte e preservação da capital. Conta com pistas de caminhada, ciclovias integradas, áreas de preservação com wetlands (zonas úmidas para tratamento biológico de águas pluviais), quadras poliesportivas e centro cultural.

Complexo Porto Futuro II
Área: Galpões históricos cedidos pela Companhia Docas do Pará (CDP) na orla fluvial.
Estrutura: Integração da cidade com a Baía do Guajará por meio do Museu das Amazônias, do Centro Cultural Caixa, do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia e de armazéns gastronômicos voltados à culinária regional.

2. Macrodrenagem, saneamento e parques lineares
Historicamente vulnerável a alagamentos em períodos de maré cheia e chuvas intensas, Belém recebeu projetos de macrodrenagem desenhados para reduzir o impacto das enchentes urbanas.
Bacia Hidrográfica do Tucunduba
Conclusão do revestimento em concreto, implantação de redes coletoras de esgoto e abertura de vias laterais em canais críticos (como Timbó, Vileta, Gentil Bittencourt e Cipriano Santos).
Parque Linear da Nova Doca (Av. Visconde de Souza Franco)
Reestruturação do canal central com passadiços, novo paisagismo, tratamento de bordas e retenção de resíduos sólidos para minimizar os refluxos da maré. A nova Doca foi inaugurada em outubro de 2025.

Parque Linear da Tamandaré
Recuperação paisagística com arborização nativa e novo sistema viário e de escoamento.

Ampliação do Esgotamento Sanitário
Implantação de novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e ampliação da malha de coleta domiciliar para elevar os índices históricos de saneamento na RMB.
Veja mais
Bacia do Una
Novas comportas e estação de bombeamento.
3. Mobilidade urbana, transporte e conectividade regional
A circulação interna e as conexões metropolitanas ganharam novos modais e melhorias de fluxo:
Complexo Viário Metropolitano
Construção de viadutos nas interseções da BR-316 com avenidas como Mário Covas e Independência.
Eliminação de semáforos críticos e desafogamento da principal artéria de entrada/saída de Belém.
Transporte Coletivo Limpo
Inserção de frotas de ônibus elétricos com ar-condicionado e estações com recarga solar.
Redução da emissão de poluentes e maior conforto térmico para o usuário.

Aeroporto Internacional de Val-de-Cans
Expansão de terminais, ampliação da climatização e reforço na capacidade de embarque.
Capacidade ampliada para tráfego internacional direto e conexões pan-amazônicas.

Terminal Hidroviário da Tamandaré
Novo píer para transporte de passageiros intermunicipal e insular.
Conexões regulares para Barcarena e ilhas como Cotijuba.
4. Turismo fluvial, infraestrutura portuária e patrimônio
Dragagem da Baía do Guajará e Terminal de Outeiro
Aprofundamento do canal de navegação para viabilizar a atracação de navios de cruzeiro de grande calado diretamente na capital.
Reforma do Complexo do Ver-o-Peso e Mercado de Carne
Restauração física de feiras e monumentos históricos, com readequação das redes elétrica, hidráulica e de descarte de resíduos de pescado.
Linha do tempo comparativa da transformação urbana
Fase pré-COP30: déficits crônicos e início das obras
2023 - 2024
Belém enfrentava baixos índices de saneamento básico, saturação no tráfego da BR-316, alagamentos recorrentes na Bacia do Tucunduba e escassez de grandes parques públicos centrais. Início das licitações e frentes simultâneas de obras com verbas federais e estaduais.
Fase de entrega e teste de carga da COP30
Final de 2025
Conclusão do Parque da Cidade, inauguração do Porto Futuro II e abertura dos viadutos metropolitanos. Belém operou com circulação ampliada, cruzeiros atracados na orla e centros de convenções globais em pleno funcionamento.
Fase pós-COP30: consolidação e manutenção
2026 aos dias de hoje
Apropriação dos novos equipamentos pela população local, operação permanente dos terminais hidroviários e monitoramento contínuo da conservação urbana e das redes de micro e macrodrenagem.
Desafios remanescentes
Apesar do salto de infraestrutura, a sustentabilidade do legado depende de três fatores cruciais:
Custos de manutenção dos parques
Preservar a conservação de equipamentos de grande porte contra vandalismo e intempéries tropicais.
Ligação domiciliar de esgoto
Garantir que as famílias conectem suas residências às novas redes coletoras para que os canais urbanos não voltem a receber efluentes in natura.
Equidade territorial
Expandir o padrão de urbanização das áreas centrais e eixos turísticos para as periferias mais profundas da Grande Belém.
