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Jardim externo da CASALIV transforma o paisagismo em parte da experiência arquitetônica

A experiência da CASALIV começa antes da entrada nos ambientes internos. Na fachada, o paisagismo assinado por Ana Clara Feitosa, criadora do Studio Namata, participa da composição arquitetônica e estabelece uma passagem gradual entre a cidade e a mostra. A vegetação não aparece apenas como elemento decorativo: integra a proposta do espaço e orienta a percepção de quem chega, em uma composição que considera luz, sombra, materialidade e circulação.

O projeto parte de uma ideia central para o trabalho do Studio Namata: a biofilia não se resume à presença de plantas em um ambiente. Ela está relacionada à necessidade humana de manter contato com elementos naturais e à possibilidade de a arquitetura favorecer essa aproximação. Na CASALIV, essa compreensão se manifesta em um paisagismo concebido para dialogar com o espaço construído e influenciar a maneira como o visitante percorre e percebe o lugar.

A proposta também se conecta a uma discussão cada vez mais presente na arquitetura contemporânea: a integração da paisagem desde as primeiras etapas do projeto. Em vez de reservar à vegetação o espaço que sobra depois da construção, o paisagismo pode contribuir para o conforto, a identidade e a qualidade dos ambientes. Na Amazônia, onde a relação com a natureza faz parte da realidade geográfica e cultural, essa reflexão ganha uma dimensão particular.

Um jardim pensado para permanecer

A escolha das espécies considera as condições do clima amazônico, a adaptação ao ambiente e a durabilidade da composição. Para o Studio Namata, sustentabilidade não está apenas na presença do verde, mas também na capacidade de o jardim se desenvolver e continuar existindo depois de sua apresentação inicial. Manutenção, longevidade e adequação das plantas às condições do local fazem parte das decisões desde o início.

Essa abordagem procura afastar o paisagismo de uma lógica restrita à imagem. Um jardim precisa funcionar no cotidiano, responder às condições ambientais e manter uma relação coerente com o espaço em que está inserido. A escolha das espécies, portanto, não se limita à aparência: envolve compreender as necessidades da vegetação e as condições necessárias para sua permanência.

A atenção a esses aspectos também interfere na relação entre arquitetura e natureza. Quando o paisagismo é considerado desde a concepção do projeto, a vegetação pode ser pensada em conjunto com a incidência de luz, a formação de sombras, os materiais e os caminhos de circulação. A integração deixa de ser apenas visual e passa a fazer parte da experiência do ambiente.


A Amazônia como referência para o morar contemporâneo

Para o Studio Namata, a evolução do morar contemporâneo envolve uma mudança na maneira de compreender a paisagem. Durante muito tempo, o paisagismo foi tratado como uma etapa posterior à construção. Hoje, cresce o entendimento de que a natureza pode participar das decisões arquitetônicas desde o princípio, contribuindo para a qualidade dos espaços e para a relação que as pessoas estabelecem com eles.

Na Amazônia, essa discussão ganha relevância diante da presença de uma das paisagens naturais mais expressivas do planeta. Incorporar essa consciência à arquitetura contemporânea, porém, não significa reproduzir a floresta dentro de casa. A proposta é compreender o que a natureza pode ensinar sobre luz, sombra, texturas, adaptação e convivência entre os elementos.

Essa perspectiva permite pensar a identidade amazônica para além de uma representação literal da floresta. A relação com o território também pode se expressar nas escolhas projetuais, na atenção às condições climáticas e na compreensão de como os espaços são vividos. O paisagismo, nesse sentido, torna-se uma ferramenta para aproximar a arquitetura das características do lugar sem transformar a natureza em mero recurso cenográfico.

Entre a cidade e a contemplação

Na fachada da CASALIV, o jardim marca a transição entre o ambiente urbano e a experiência da mostra. O visitante deixa para trás o ritmo da rua e encontra uma composição em que a vegetação participa da percepção do espaço. A intenção do Studio Namata é despertar uma sensação de presença, convidando o público a prestar atenção em elementos que muitas vezes passam despercebidos na rotina.

Essa proposta ganha um caráter mais introspectivo em “Entre Tempos”, percurso que também integra o trabalho do escritório na CASALIV. Ali, a relação com a natureza convida a uma mudança de ritmo: observar uma folha, acompanhar o desenho de uma sombra ou perceber a textura de um material são maneiras de experimentar o ambiente com mais atenção.

A ideia é transformar um trajeto que poderia ser automático em um momento de contemplação. Não se trata de impor uma experiência ao visitante, mas de criar condições para que ele perceba a atmosfera do lugar e a influência dos elementos naturais sobre sua própria percepção.

Embora a fachada e “Entre Tempos” tenham características distintas, os dois espaços partem de uma intenção comum: explorar a capacidade da natureza de modificar silenciosamente a forma como as pessoas sentem e compreendem um ambiente. A vegetação, a luz e as texturas passam a fazer parte de uma experiência que não depende apenas da observação visual, mas também do tempo dedicado ao espaço.

SOBRE A PROFISSIONAL

Ana Carla Feitosa é paisagista e está à frente do Namata Paisagismo, escritório de Belém dedicado à criação de ambientes que aproximam arquitetura e natureza. Fundado em 2017, o estúdio tem a biofilia como um dos princípios de trabalho e busca valorizar a biodiversidade vegetal amazônica, considerando aspectos como conforto climático e acústico, praticidade e durabilidade dos jardins. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu projetos para empresas e instituições como Hydro, Vale, CESUPA, Leal Moreira e Almáa Engenharia. Na CASALIV, assina o Jardim Externo e participa da proposta paisagística do percurso Entre Tempos, explorando a vegetação como parte da experiência dos espaços.

(91) 98482-3333 @anacarla.feitosa

FORNECEDORES


  • AGROFEIRA FLORICULTURA (91) 99962-3537 @floriculturaagrofeira

  • STUDIO NAMATA (91) 98584-2351 @studio.namata