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Bicicleta pode transformar as cidades: mobilidade ativa traz benefícios para a saúde, o meio ambiente e a economia

Em cinco dias de março de 2025, pesquisadores contabilizaram mais de 76 mil bicicletas circulando em sete pontos de Belém. O levantamento, feito pelo Coletivo ParáCiclo em parceria com a Mbué Pesquisas e Projetos Socioambientais, registrou 76.416 viagens e estimou mais de 84 mil deslocamentos, considerando também passageiros. A contagem ocorreu durante 13 horas por dia, entre 6h e 19h.

Os dados mostram que a bicicleta já faz parte da rotina de mobilidade na cidade. Em Belém, ela não é apenas uma opção de lazer: é meio de transporte para trabalho, estudo e acesso a serviços.

Essa realidade se conecta às evidências sobre mobilidade ativa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que caminhar e pedalar devem fazer parte das políticas urbanas, por contribuírem para a saúde, reduzirem poluição e melhorarem a qualidade de vida nas cidades.

Pedalar também é saúde pública

A bicicleta não é apenas exercício, mas também uma forma de incluir atividade física no dia a dia. Segundo a OMS, pedalar cerca de 20 minutos na maioria dos dias está associado à redução do risco de mortalidade e de doenças, como problemas cardiovasculares e diabetes tipo 2. Estudos também indicam menor incidência de alguns tipos de câncer entre pessoas que usam a bicicleta como transporte.

Ciclistas usam o Parque Estadual Curió Utinga para se exercitar (Foto: Santiago Esportes)

Esses dados não significam uma relação de causa direta, mas reforçam a importância da mobilidade ativa como estratégia de saúde pública. A OMS recomenda entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada, o que pode ser alcançado também nos deslocamentos diários.

Benefícios para toda a cidade

O uso da bicicleta não impacta apenas quem pedala. Quando substitui parte dos deslocamentos de carro, ajuda a reduzir congestionamentos, emissões de poluentes e ruído urbano.

No Brasil, o Ministério das Cidades também reconhece a bicicleta como parte da política de mobilidade urbana. O Programa Bicicleta Brasil incentiva seu uso e a melhoria da infraestrutura cicloviária.

Além disso, a bicicleta funciona bem em deslocamentos curtos e pode ser integrada ao transporte público, especialmente na chamada “primeira e última milha”.

Belém e sua infraestrutura cicloviária

Belém já possui uma rede cicloviária relevante. Segundo levantamento da Aliança Bike (2025), a cidade conta com 150,58 km de ciclovias e ciclofaixas segregadas, o que a coloca entre as capitais com maior extensão no país.

No entanto, o crescimento da rede estagnou entre 2024 e 2025, enquanto outras capitais ampliaram significativamente suas estruturas. Isso mostra que, mais do que expandir, o desafio é qualificar e conectar a malha existente.

O Plano Plurianual de Belém (2026–2029) indica 164,19 km de ciclovias em 2024 e prevê a ampliação em mais 35 km até 2029. A meta reforça a continuidade dos investimentos, mas também levanta a necessidade de integração e segurança.

Bicicleta também é trabalho

O levantamento em Belém mostra ainda o papel econômico da bicicleta. Entre os registros, havia bicicletas usadas para entrega, transporte de cargas e venda de alimentos. Foram identificadas 795 bicicletas cargueiras e 557 voltadas ao comércio.

Bicicletas também são usadas para delivery (Foto: Divulgação)

A pesquisa estima que essas atividades movimentem cerca de R$ 1 milhão, evidenciando a bicicleta como ferramenta de geração de renda.

A Pesquisa Origem-Destino do ParáCiclo também mostra que a maioria dos deslocamentos é curta: quase metade dura até 15 minutos e mais de 77% não ultrapassa 30 minutos.

O desafio da qualidade  da infraestrutura

Mais do que quilômetros, o que define uma boa rede cicloviária é sua continuidade, segurança e integração. Ciclovias isoladas ou mal conectadas perdem eficiência, e a presença de veículos ou obstáculos nas faixas ainda é um problema relatado por usuários.

A própria Aliança Bike ressalta que seus dados não avaliam a qualidade da infraestrutura, apenas sua extensão.

O futuro da mobilidade em Belém

O planejamento da cidade aponta para expansão da rede cicloviária, mas o desafio vai além de construir novos trechos. É preciso garantir que a bicicleta esteja integrada ao sistema de transporte e que os deslocamentos sejam seguros e contínuos.

Os mais de 76 mil registros em poucos dias mostram que a demanda já existe. As evidências da OMS reforçam os benefícios da mobilidade ativa, e as políticas públicas reconhecem a bicicleta como parte da solução urbana.

Em Belém, o desafio é garantir que o planejamento urbano acompanhe a realidade dos números e torne a mobilidade mais segura, eficiente e acessível para todos.