A gastronomia paraense segue conquistando espaço dentro e fora do Brasil. Dessa vez, os sabores da região ganharam o mundo no Dewa Shonai International Forum, em Tsuruoka, no Japão, que reúne cidades que utilizam a gastronomia como ferramenta de desenvolvimento sustentável. A capital paraense foi escolhida para participar do evento após conquistar o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO.
Pelas mãos do chef Lucas Rodrigues, a culinária amazônica foi apresentada em uma releitura do tradicional pato no tucupi. “Para quem não sabe, Belém e Tsuruoka compartilham um título muito especial: ambas são Cidades Criativas da Gastronomia pela UNESCO. O convite surgiu justamente dessa conexão internacional. Eles queriam trazer chefs que pudessem mostrar como a gastronomia pode ser uma ferramenta de preservação e impacto social. Foi uma honra gigantesca representar a Amazônia e o Pará em um painel global no Japão”, contou Lucas.

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Da Amazônia para o Japão
Para levar um dos pratos mais tradicionais da culinária paraense ao outro lado do mundo, foi preciso adaptar a logística sem abrir mão da identidade amazônica. ”Para que esse prato cruzasse o mundo e passasse pela imigração, precisei fazer várias adaptações na logística. E foi aí que entrou a força da nossa floresta: usei insumos concentrados e desidratados fornecidos por empresas da Assobio. Elas mostram como a tecnologia e a inovação na Amazônia são aliadas da nossa culinária”compartilhou o chef paraense.

Durante o evento, Lucas preparou a receita com um pato produzido na própria região de Tsuruoka e apresentou o prato ao criador do animal. "Foi uma experiência única. O público japonês tem um respeito quase sagrado pelo ingrediente, e eu tive o privilégio de cozinhar com um pato local de uma qualidade absurda. Inclusive, conheci e conversei com o próprio produtor desse pato aqui no Japão. O ápice da noite foi poder servi-lo pessoalmente, apresentando o pato que ele criou combinado com o nosso tucupi”, disse.
“Ver a reação deles com a acidez do tucupi e o tremor do jambu, conectando a produção deles com a nossa tecnologia ancestral, foi o que mais me marcou”, compartilhou Lucas.
Gastronomia como embaixadora da Amazônia
Para Lucas Rodrigues, iniciativas como essa ganham ainda mais relevância no momento em que Belém desperta o interesse internacional. Segundo ele, a gastronomia amazônica ajuda a mostrar que a floresta não representa apenas um patrimônio ambiental, mas também uma potência cultural, econômica e gastronômica.
"Belém está no centro dos holofotes globais, e o mundo está finalmente olhando para a Amazônia não só como um bioma a ser protegido, mas como uma potência cultural e gastronômica. Ações como essa mostram que a nossa culinária é de vanguarda. O papel do chef hoje vai muito além da cozinha: nós somos embaixadores da floresta. Levar produtos da nossa sociobioeconomia para o Japão, prova para o mercado internacional que a floresta em pé e preservada gera muito mais valor econômico e social do que o desmatamento”, finalizou o chef.

