Uma casa pode guardar memórias, esconder segredos, aproximar gerações ou até conduzir uma história inteira. Na literatura, esses espaços muitas vezes deixam de ser apenas o lugar onde a trama acontece para assumir um papel decisivo no enredo.
É justamente essa relação entre literatura e arquitetura que aparece em cinco livros de autores que estão na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada entre os dias 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi. Com mais de 269 expositores e expectativa de receber mais de 700 mil visitantes, o evento tem entre seus destaques obras em que diferentes formas de morar ajudam a construir as narrativas.
De uma casa que atravessa décadas a uma mansão que funciona como centro de uma trama de suspense, confira cinco livros em que o espaço doméstico ganha protagonismo, conforme lista feita pela Casa Vogue.
“Se a casa 8 falasse”, de Vitor Martins
No terceiro romance de Vitor Martins, a própria casa assume a narração. A história acompanha diferentes gerações ao longo de três décadas, revelando como mudanças, conflitos familiares e primeiros amores atravessam o tempo.
A residência funciona como uma espécie de testemunha das transformações de seus moradores, mostrando como determinadas experiências permanecem ligadas aos lugares onde foram vividas.
“Suicidas”, de Raphael Montes
O primeiro romance de Raphael Montes se passa inteiramente na Cyrille’s House, no interior do Rio de Janeiro. É no porão da residência que nove jovens da elite carioca são encontrados mortos em circunstâncias misteriosas.
A partir desse cenário, a trama de suspense busca reconstruir o que aconteceu e quais acontecimentos levaram os adolescentes àquela noite. A casa, neste caso, concentra os mistérios que movem a narrativa.
“Uma família feliz”, de Raphael Montes
Em outra obra de Raphael Montes, o ambiente doméstico também está no centro da história. Eva vive com o marido e as duas filhas no Blue Paradise, condomínio de classe média alta na Barra da Tijuca que oferece uma estrutura completa para seus moradores.
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A aparente tranquilidade do lar começa a ruir quando Eva descobre que está grávida. O espaço que deveria representar conforto e segurança passa a acompanhar as tensões e transformações da família.
“Uma delicada coleção de ausências”, de Aline Bei
A casa ganha um significado ainda mais afetivo no romance de Aline Bei. A obra acompanha três gerações de mulheres, Laura, Margarida e Filipa, que passam a dividir o mesmo espaço e precisam lidar com perdas, conflitos e traumas familiares.
Laura vive com a avó em uma casa simples de portão laranja, onde as duas constroem uma relação de cumplicidade. A chegada inesperada de Filipa altera essa dinâmica e faz com que diferentes gerações e suas memórias se encontrem sob o mesmo teto.
“Mansão Hedonê: Seu clube secreto”, de Sue Hecker
Na obra de Sue Hecker, pseudônimo de Débora Gimenez Gastaldo, a casa chega mais perto de ser uma personagem. A Mansão Hedonê é um clube privado, sofisticado e exclusivo, frequentado pela elite e responsável por reunir os personagens que conduzem a trama.
A história acompanha o agente federal Dragon e Leandra, fundadora da mansão. Quando uma organização criminosa começa a dopar vítimas durante festas para praticar furtos, agressões e extorsões, o local passa a concentrar pistas e conflitos. O livro também ganhou uma adaptação para série no Globoplay.
